Para ser piloto

Coaching de formação aeronáutica

O que é ser piloto profissional

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Segue abaixo o texto original do post:

A maioria das pessoas, quando pensa na palavra “piloto” (da aviação, bem entendido), tem em mente o sujeito que fica na cabine do jato de linha aérea (ex. TAM, Gol, Webjet, etc). Mas embora essa pessoa seja, de fato, um piloto, existem muitas outras possibilidades na aviação que nem todo mundo conhece. Vamos explicá-las neste post.

Piloto civil X militar X “para-militar”

Uma primeira divisão importante é entre os pilotos civis, que serão detalhadamente explicados mais a frente, e os militares (Aeronáutica, Marinha e Exército) e “para-militares” (pilotos da Polícia Militar, Civil, e Federal), que serão rapidamente comentados a seguir.

Um piloto militar é um oficial das Forças Armadas, um profissional que possui uma formação totalmente diferente da dos civis: eles estudaram em academias militares, geralmente pilotam aeronaves de uso militar (caças, bombardeiros, aviões de transporte de tropas, helicópteros de ataque, etc), ou eventualmente civil (ex.: Airbus presidencial, helicópteros Esquilo da Marinha, etc), e não seguem a regulamentação da ANAC. Já os pilotos “para-militares” seguem a regulamentação da aviação civil (ANAC), mesmo os da Polícia Militar, e a única diferença destes para os pilotos civis é o seu regime de trabalho, coerente com a organização a que pertençam.

Piloto de cia aérea

Na cabine dos aviões de companhia aérea, encontram-se geralmente duas pessoas: o comandante da aeronave e o copiloto – ambos profissionais com habilitação de piloto, sendo que o comandante obrigatoriamente tem que ser PLA (Piloto de Linha Aérea), e o copiloto pode ser PC (Piloto Comercial). O comandante é o chefe, a autoridade máxima a bordo, mas não é necessariamente ele que pilota o avião – na verdade, na maior parte das vezes é o copiloto quem pilota, e o comandante o supervisiona. Em aeronaves mais antigas (ex. Boeing 727), existe a figura do engenheiro de vôo, que seria o 3º tripulante a ocupar a cabine, e em vôos internacionais muito longos também pode haver um terceiro piloto para assumir parte de vôo em revezamento com os outros dois condutores da aeronave. Antigamente, as cabines eram tripuladas também pelo mecânico de vôo e pelo navegador, mas essas funções estão atualmente extintas.

Podemos subdividir os pilotos de cia aérea em 3 sub-classes, a seguir apresentadas, com uma estimativa aproximada dos respectivos salários médios:

A)Piloto de linha internacional: são os profissionais que conduzem os grandes jatos (geralmente, Boeing 747/767/777, Airbus A330/340, etc) por enormes distâncias, para outros países. É o topo da  cadeia alimentar da aviação. Estimativa de salários médios:

Comandante: R$22mil

Copiloto: R$15mil

B)Piloto de linha doméstica: conduzindo jatos menores que os das linhas internacionais (geralmente Boeing 737 e Airbus A319/320/321), são os profissionais que atuam nas pontes aéreas e nos vôos nacionais. Estimativa de salários médios:

Comandante: R$15mil

Copiloto: R$9mil

C)Piloto de linha regional: são os profissionais que operam uma variada gama de aeronaves, desde os mesmos Boeings 737 ou Airbus A319/320/321 das linhas domésticas, quanto os jatos da Embraer (E190/195 ou ERJ 135/145), os bi-turbo-hélices ATR, Brasília, Bandeirante, Let-410, etc, até o mono-turbo-hélice Caravan. Geralmente, esses pilotos fazem rotas mais curtas, operando em aeroportos menores. Estimativa de salários médios:

Comandante: R$12mil a R$6mil

Copiloto: R$8mil a R$4mil

Existe, ainda, o piloto de cargueiro, que pode ser internacional ou doméstico. Essa categoria fica num meio termo entre o piloto de companhia aérea e de táxi aéreo, já que opera aeronaves parecidas com o primeiro caso (porém, mais antigas, como os MD-11, Boeing 727, etc), mas as empresas estão mais próximas às de táxi. Em alguns casos, uma mesma companhia tem um segmento de passageiros e um de carga, o que faz com que estes pilotos sejam parecidos com os de linha aérea; noutros, trata-se de empresa com um único avião, existe muita variação no segmento, assim como na remuneração.

Piloto da aviação geral

Basicamente, tudo o que não é linha aérea nem militar, é aviação geral. Nessa categoria, entra também a asa rotativa (helicópteros). A seguir, as principais sub-classes dessa aviação:

Táxi aéreo

A operação dos táxis aéreos é regulamentada pela ANAC como transporte aéreo não regular, embora também exista o “táxi aéreo pirata” (proprietários de aeronaves que as alugam informalmente). Para aeronaves com mais de 10 assentos, é obrigatório que o piloto seja PLA, e no restante, basta ser PC. Existe a categoria dos “maloteiros” para designar os táxis especializados em encomendas e pequenas cargas (malotes), para diferenciar dos táxis que transportam passageiros. Na asa móvel, existe a operação em plataformas petrolíferas, o segmento que mais cresce na sub-classe. Existe uma grande variação de aeronaves nos táxis aéreos, desde o Cirrus até o Legacy na asa fixa, ou desde o Robinson-22 até o Sikorsky S-92 na asa móvel, por isso também é muito grande a variação na remuneração. Em todo caso, segue abaixo uma estimativa:

Asa fixa:

- Aviões pequenos a pistão (somente comando): R$3mil a R$5mil

- Turbo-hélices e jatos: R$4mil a R$10mil (copilotos) e R$6mil a R$15mil (comando)

Helicópteros:

- Pequeno porte (repórter aéreo, vigilância, manutenção de rede elétrica, etc): R$3mil a R$5mil

- Médio porte (transporte de passageiros): R$5mil a R$15mil

- Plataformas de petróleo (regime 15 X 15): R$15mil (comando) e R$10mil (copilotos).

Aviação Executiva

Este segmento é o de proprietários de aeronaves, sejam eles pessoas físicas ou empresas de qualquer ramo que não da aviação (por exemplo: um banco que possui um avião). Nesse grupo, incluem-se os proprietários que também são pilotos, geralmente voando pequenas aeronaves em voos visuais (os preferidos são os Cirrus na asa fixa e o Robinson 44 na móvel). Na aviação executiva profissional, os principais segmentos são os seguintes:

- Proprietários rurais que contratam pilotos (geralmente, somente comandantes) para operar pequenos mono ou bimotores a pistão (Cessna 172/182/206, Embraer Tupi/Corisco, Piper Seneca, Beech Bonanza e Baron, etc) ou Caravan em pistas de terra em suas fazendas – os grandes fazendeiros voam de King Air (turbo-hélice). Também podem ser garimpeiros ou negociantes de ouro e pedras preciosas. Esses pilotos ganham entre R$2mil e R$5mil (ou cerca de R$10mil, no caso dos pilotos de King Air).

- Profissionais liberais (principalmente advogados) e médios empresários com negócios em locais não atendidos pela aviação comercial. Esse público voa de Cirrus, Pilatus, pequenos bimotores a pistão ou turbo-hélice, e pequenos jatos (LearJet, Citation, Hawker, etc). Um piloto deste sub-segmento ganha entre R$4mil e R$15mil.

- Grandes empresários e executivos de grandes empresas – o topo da cadeia alimentar da aviação executiva. Existe um banco que possui um BBJ (Boeing Business Jet, um 737 modificado) que, segundo consta, paga R$30mil mensais para seu comandante. Mas a maioria dos pilotos deste segmento pilota os jatos Embraer Legacy, Bombardier Challenger, Dassault Falcon, e outros de médio porte, e ganham entre R$12mil e R$20mil (comando) – copilotos entre R$8mil e R$15mil..

Agrícola

Devido ao fato de voar em baixa altura e devagar, além do problema dos produtos químicos que carrega, nocivos tanto ao avião quanto ao piloto, a aviação agrícola é a mais perigosa de todas. Além disso, o piloto agrícola geralmente trabalha em localidades afastadas dos grandes centros, o que nem todo mundo gosta. Por isso, este é um dos segmentos mais rentáveis da aviação geral, e não são raros os casos de pilotos que ganham mais de R$100mil por safra. Além disso, a aviação agrícola permite que o piloto se estabeleça como proprietário do avião que pilota (um avião agrícola usado custa na casa dos R$300mil), o que aumenta ainda mais seus ganhos. E para quem gosta da vida no campo, é um prato cheio.

Instrução

A profissão de instrutor de vôo no Brasil é exercida, na maioria das vezes, por pilotos recém habilitados, como forma de ganhar experiência para poder entrar numa companhia aérea. É um contra-senso, já que seria de se esperar que os mais experientes fossem os mestres, mas infelizmente é assim que a coisa funciona atualmente, devido à maneira como a instrução foi estruturada no Brasil (aeroclubes pobres, subsídio zero, equipamentos obsoletos, etc). Os instrutores trabalham muito (às vezes, estourando o limite regulamentar de 85 horas mensais), voam aviões velhos (muitos aeroclubes ainda possuem Paulistinhas da década de 1940), e ganham muito pouco – cerca de R$2mil/mês, geralmente sem registro, e dependendo das horas voadas no mês. Instrutores de vôo por instrumentos (IFR) e de aviões multimotores ganham o dobro disso, e instrutores de aviões sofisticados (jatos e turbi-hélices) ganham mais que os pilotos regulares desses equipamentos, mas estes são casos excepcionais.

Outras atividades:

Reboque de planador

Embora necessite de uma licença especial da ANAC, o piloto rebocador de planador é, geralmente, um piloto de planador que reveza com outros na função, e nem sempre são remunerados – muitas vezes fazem parte de clubes de planadores, composto por praticantes amadores. Quando atuam de maneira profissional, eles dividem o valor cobrado por um vôo de instrução ou panorâmico com o piloto do planador, ou seja, trata-se de um “bico”.

Lançamento de paraquedistas

Também necessitando de licença especial da ANAC, o piloto lançador de paraquedistas também é um profissional que geralmente realiza a atividade como um “bico”. Mas, ao contrário daqueles, este é pago em todas as vezes que pilota, portanto não é uma atividade amadora.

Puxador de faixa

Outra atividade realizada como “bico” por pilotos comerciais, só que sem a necessidade de licença especial da ANAC. Muito ativo no verão, principalmente no litoral, o puxador de faixa ganha um pouco mais que um instrutor de vôo, mas as empresas do ramo costumam escolher os pilotos mais experientes para a função, pois o vôo é realizado a baixa altura, e muito devagar.

Piloto de ensaio

Também requer licença especial da ANAC, só que a mais complexa de todas. Trata-se de uma atividade pouco demandada, já que somente a indústria aeronáutica  demanda este tipo de profissional. Todavia, um piloto de ensaios de vôo ganha mais que um  comandante de linha aérea, e são os profissionais mais experientes do mercado.

Escrito por Raul Marinho

31/03/2011 às 9:59 AM

10 Respostas

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  1. [...] para saber o custo da formação; agora veja o valor aproximado dos ganhos de um piloto neste post aqui, e tire você mesmo suas conclusões, baseado no que você ganha hoje, no seu emprego atual. [...]

  2. [...] para um piloto no universo aeronáutico, um assunto já abordado no meu bloguinho, neste post aqui (na verdade, este artigo é uma atualização daquele post). Já na coluna da semana que vem, [...]

  3. [...] prazer poder ajudá-los!!!   Mas voltando à questão da aviação militar, eu recomendo ao Mateus este post aqui, onde eu abordo todas as possibilidades na aviação, inclusive a militar. Mas, basicamente, é o [...]

  4. [...] pela aviação recentemente. Por isso, uma recomendação prévia para os Marcelos da vida é ler esse post aqui, onde eu explico as principais possibilidades que a aviação oferece.   Mas vamos passar às [...]

  5. Raul, primeiramente, parabéns pelo blog. Excelente iniciativa que merece ser reconhecida pelo seu altruísmo em meio a tanto “pano preto”.
    Sugiro um post sobre a certificação em Inglês (ICAO). Não sei se é verídico, mas já ouvi que facilita bastante a inserção no mercado (grandes linhas) a certificação na carteira. É verdade?
    Além disso como é a prova, recomenda ou conhece alguma preparação para quem já tem um nível intermediário de inglês, já qu são focados termos técnicos e/ou específicos da aviação.
    Obrigado e bons voos.

    Andre

    05/01/2012 em 11:45 AM

  6. Primeiramente te agradeco desde de ja…tenho uma pergunta pra me caro/ moro nos USA , e desde de pequeno sou apaixonado por aviacao, tenho 34 anos procurei ver o curso,..pelo que estou vendo aqui nao me parece que paga muito bem pilotos ..pra vc ser um hoje vc tem que amar …mais minha pergunta e o seguinte,. O que eu tenho ou quantas horas eu preciso ter pra conseguir um trabalho em um jet falon por exemplo e na faixa de quantos anos se adequire esta experiencia necessaria..? agradeco mais uma vez, abraco

    ranieri sales

    24/08/2011 em 12:41 AM

    • Ranieri,

      De fato, aí nos EUA, um piloto ganha menos que motorista de ônibus, principalmente por causa da super oferta de pilotos da USAF. Mas respondendo a sua pergunta, aqui no Brasil, vc precisa de 150h de voo, que vc adquire em 2 anos, para ser PC. Aí, se nao me engano sao 250h, mas vc consegue isso em menos de 1 ano.

      Raul Marinho

      24/08/2011 em 8:28 AM

      • obrigado pela atencao Raul …vou sempre ficar de olho no blog ,.ate onde eu vi na net o mais serio.abraco.

        ranieri sales

        13/09/2011 em 4:18 PM

  7. ATENÇÃO: A SEÇÃO DE COMENTÁRIOS DESTE POST ESTÁ FECHADA. ESCREVA SEU COMENTÁRIO NA PÁGINA http://paraserpiloto.wordpress.com/comentarios-dos-posts-antigos/ .

    Raul Marinho

    31/03/2011 em 2:54 PM


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